Frutos de um tempo


por Flávio Dino, originalmente publicado dia 4 de abril de 2022 nas redes sociais.

 

Na noite da última sexta-feira, por imposição legal, apresentei minha renúncia ao cargo de governador do Maranhão, o meu estado. Aqui nasci, me criei, fiz amigos de uma vida inteira, aprendi a sonhar. Nos últimos sete anos e três meses, dediquei-me obstinadamente a fazer o melhor para todas as pessoas, especialmente os que menos tem e mais precisam.


À frente do governo do Estado, com trabalho sério e probo, vi muitos sonhos serem realizados. Ver tantas coisas boas saindo do plano das ideias e se tornando realidade, receber tantos abraços e carinho por onde passo, também é contemplar a existência de Deus. Ele se manifesta no sorriso da criança que agora está assistindo aula em uma Escola Digna. Deus está presente na alegria de uma mãe que teve a vida do filho salva porque agora tem uma UTI neonatal em sua cidade. Há Deus em ver um pai de família empregado em uma de nossas milhares de obras. E em nossos 101 Restaurantes Populares cumprimos os preceitos cristãos de amparar os pequeninos, os que tem fome e sede de Justiça.


No último dia de trabalho como governador do meu estado, me trouxe muita alegria conseguir entregar para o povo do Maranhão um sonho de décadas: a ponte Central - Bequimão, idealizada pelo ex-governador Antônio Jorge Dino, ainda no final da década de 1960. Uma obra que tem muitos significados, pois proporciona portas para o desenvolvimento da região do Litoral Ocidental, no que se refere ao turismo, produção e a circulação de riquezas. Há também a dimensão da economia com custos de transporte, uma vez que esse novo trajeto vai encurtar em mais de 100 km a distância para a nossa capital. Por fim, outro aspecto merece ser pontuado: durante sua construção, parte dos trabalhadores contratados eram moradores da terra quilombola Ramal de Quindiua, que fica próxima à ponte, gerando renda para muitas famílias. Esse conjunto de fatores representa a consolidação de um caminho entre o passado e o futuro, entre o sonho e a realidade, fazendo com que Bequimão, Central e todos os municípios do litoral ocidental sejam fortemente beneficiados.


A ponte Central-Bequimão é bonita por aquilo que a gente vê, afinal, podemos contemplar a beleza do rio Pericumã, os manguezais, a grandiosidade do solo maranhense. Contudo, também é bela por aquilo a que ela servirá: mais desenvolvimento e dignidade para os maranhenses. Uma obra que muda a história da região, que agora se divide entre antes e depois da ponte.


Quis Deus que a última obra inaugurada em nossa gestão, na noite de sexta-feira, fosse a obra de número 101 na saúde: o novo hospital da grande São Luís, o Hospital da Ilha, que já conta com 400 profissionais contratados. Um serviço de saúde que visa superar as dificuldades históricas que se acumulam na região metropolitana, uma vez que os hospitais municipais (Socorrões) não dão conta da demanda existente. É a consagração de um itinerário que nós percorremos para garantir hospitais regionais próximos dos cidadãos, que valorizam cada vida, todas as vidas. Foram dezenas de novos hospitais, policlínicas, serviços especializados abertos. Tudo para mostrar que o SUS funciona, que pode oferecer tratamentos de qualidade, e que cuida bem das pessoas.


O Hospital da Ilha começa a receber os primeiros pacientes na segunda-feira (4), oriundos das nossas UPAs, e já conta hoje com 87 leitos, divididos em enfermaria e UTI, com capacidade, nessa fase entregue, para expandir até 260 leitos. Entregamos também seis modernas salas de centro cirúrgico, que constituem uma grande conquista para agilizar as filas de cirurgias existentes. Depois desse primeiro passo de abertura, iniciaremos a ampliação do serviço, que após 30 de abril atenderá também os casos de urgência que chegarem por demanda espontânea. Esse é um grande ganho na oferta de saúde da região metropolitana de São Luís e dos municípios vizinhos.


Com esses dois sonhos realizados, me despedi do cargo de governador. Meu legado, à frente do Governo, foi transformar pessoas. Mostrar que as dificuldades históricas do nosso estado, com muito trabalho, podem ser progressivamente superadas. Fazer o maranhense acreditar em seu estado, em seu povo. Meu legado é um novo Maranhão, pelo qual lutei e continuarei lutando. Um Maranhão que não seja de poucos, mas de todos nós.